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  • ANDRE TIXA ORSINE

O Vale do Jequitinhonha de luto: Frei Chico

Morre aos 83 anos em BH, o frade franciscano Frei Chico, holandês que adotou o Vale do Jequitinhonha como sua pátria.


O Vale do Jequitinhonha amanhece de luto, com a triste notícia da partida do amigo e grande personagem da nossa história Frei Chico.





Perdemos o Pelé do Vale!!! A cultura e a história do Vale hoje perdeu seu grande representante.


A sua história se faz gigante, pelo que você simboliza para tantas e tantas pessoas, principalmente as mais humildes.


Você levou a religiosidade, a sabedoria popular e a simplicidade do povo com humanidade, que era sempre o reflexo dos seus gestos e atos, abraçou sempre os mais pobres, elevou a auto estima de nossa gente, se tornou um de nós. O seu amor pelo Vale sempre estava presente em seu sorriso, em suas palavras, músicas e em tudo o que você fez.


Já tive a oportunidade de te contar quando o conheci lá em Araçuaí, ainda com meus 9 anos de idade, perguntando como era o mundo, sabendo que estava próximo de um ser iluminado, de um ícone que levou esperança, alegria, paz e amor.


O coração tá apertado, os olhos não conseguem conter as lágrimas.... Talvez porque quando a gente experimenta a solidariedade, a caridade a gente se conecta com Deus e esse sentimento remete a gratidão e a uma paz que eleva o nosso espírito.


Querido amigo, descanse em paz, aqui sua história e seu legado é imortal e o seu exemplo será sempre o espelho para nós filhos do Vale.


(André Tixa Orsine)


“.....Procurando amor de longe

Que o de perto eu já deixei

Ô beira-mar, adeus dona,

Adeus riacho de areia


Adeus, adeus, toma adeus

Que eu já vou me embora

Eu morava no fundo d'água

Não sei quando eu voltarei

Eu sou canoeiro....” (Beira Mar Novo)


O franciscano Frei Chico, Francisco Van Der Poel, chegou à cidade de Araçuaí, lá pelos idos de 1967, vindo da Holanda. Naquela época, o Vale, como carinhosamente é chamado, situava-se entre as localidades mais pobres do mundo, de modo que suas viagens pela região eram realizadas no lombo de burro.

Mas nem tudo era apenas pobreza, pois, o povo do Vale tinha e tem uma riqueza cultural invejável, o que deixou o frade estupefato.


Durante a sua permanência como pároco da diocese Araçuaí, Frei Chico acumulou mais de 15 mil folhas que registravam a cultura relacionada com a fé e a espiritualidade daquela gente. A essa rica pesquisa, o frade somou outras realizadas em Portugal, onde foi em busca de arquivos, tentando achar caminhos que o levassem a compreender melhor a sabença do povo simples do Vale do Jequitinhonha. Acabou coroando seu trabalho de longos e incansáveis anos de pesquisa com o lançamento do Dicionário da Religiosidade Popular: Cultura e Religião no Brasil, além de outros 5 livros de cultura popular, com a ajuda da inseparável amiga, a artesã Lira Marques.


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