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  • ANDRE TIXA ORSINE

Olimpíadas: O esporte muito além das medalhas

Megaevento é oportunidade para países muitas vezes desconhecidos serem vistos e principalmente do surgimento de grandes feitos e histórias.


Os jogos olímpicos são realizados há mais de 2 mil anos para estimular a competição sadia entre os povos dos cinco continentes. Considerado o maior evento esportivo do planeta, os Jogos Olímpicos promovem além das disputas e da confraternização universal dos povos, oportunidades de crescimentos aos países sede, seja esportivamente como financeiramente, mas também há outros aspectos que muitas vezes ficam em segundo plano.


Quando Pierre de Coubertin idealizou o Movimento Olímpico acreditava que poderia por meio do esporte promover a paz e colaborar para a transformação da sociedade. Para tanto trabalhou para a reedição dos Jogos Olímpicos, uma das celebrações mais importantes da Grécia Antiga, momento em que inclusive se suspendiam as guerras e conflitos para que os participantes e espectadores pudessem acorrer para a cidade realizadora a fim de participar ou simplesmente assistir as competições. Quando no final do século XIX foi celebrada a primeira edição dos Jogos Olímpicos da Era Moderna e a cidade de Atenas acolheu a competição pouco se esperava de um evento que reunia algumas centenas de pessoas que praticavam esporte como atividade de tempo livre e sem nenhuma outra finalidade senão a competição em si mesma. Ao longo do século XX os Jogos Olímpicos se transformaram em um dos principais eventos culturais do planeta e sua organização demanda envolvimento direto do poder público e da iniciativa privada. O objetivo deste trabalho é discutir os custos do processo de candidatura e realização dos Jogos Olímpicos na atualidade. Isso porque no princípio do século passado o poder público era inteiramente responsável pela candidatura e realização do evento. No presente, desde o momento em que a cidade se candidata e apresenta seu projeto ela necessita criar uma infra-estrutura para viabilizar, no princípio, uma idéia (de que a cidade é viável para acolher um megaevento), em seguida, afirmar sua especificidade (que a faz diferente e melhor das demais concorrentes) e, por fim, viabilizar sua capacidade (momento em que são feitas as adequações necessárias para receber o evento em si e todo o universo que gravita no seu entorno). Isso tem gerado inúmeras controvérsias na medida em que algumas cidades produzem novos equipamentos públicos para um uso restrito e temporário enquanto que outras planejam esses equipamentos para que sejam incorporados à cidade e ocupados por sua população


Contextualizando e trazendo para a nossa realidade como incentivadores do esporte, os maiores legados das olimpíadas não estão somente nas medalhas ou nos títulos e sim nas oportunidades que esses eventos nos concedem de conhecermos a história vencedora de tantos atletas e como elas inspiram e promovem a humanização dos ídolos. São histórias de dedicação, superação, de orgulho e de representatividade.


Por trás de todo herói há um lastro de retidão, exemplo de muito esforço e grandes exemplos de quem marcou seu nome na história.


Estamos acostumados a assistir pela TV apenas o glamour e as glórias dos campeões e em nosso país, especificamente, temos um péssimo hábito de não valorizar o que não represente o primeiro lugar.


Nas olimpíadas, temos uma valorização maior de histórias de representatividade, de atletas vitoriosos só pelo fato de terem a oportunidade de participar, de serem os poucos representantes dos seus países e de verdadeiros heróis da vida.


Entendemos no AKA, que este é o nosso papel como formadores de cidadãos. Queremos deixar o recado aos jovens que o esporte nos ensina o convívio em sociedade, a ganhar e a perder, mas principalmente saber ganhar e saber perder. A transformação da sociedade passa pela educação e também pelo esporte.


O esporte é um agente na busca por princípios e valores sociais, morais, éticos e de inclusão, além do desenvolvimento físico e promoção da saúde.


Acreditamos que a prática esportiva é promotora de qualidade de vida, transformação social e de construção da cidadania.


Exemplos como da pequena prodígia Rayssa Leal, Ítalo Ferreira, Maurren Maggi e tantos outros. Como não lembrar do herói olímpico Vanderlei Cordeiro de Lima e a sua dignidade e espírito esportivo. Se tornou herói sem vencer, mas pela sua conduta e desportividade.


Precisamos trazer à tona toda essa essência que as olimpíadas nos propiciam, toda representatividade e os legados que nos propicia e levar pra o campo dos debates e da prática no dia a dia do nosso convívio.


Vale para o esporte, Vale para a Vida: Valemos pelo que Somos.



Jogos Olímpicos: as origens


De acordo com a mitologia grega, foi Hércules quem criou os Jogos Olímpicos, com início datado por volta de 1200 a.C. a 1000 a.C., embora antes mesmo deste fato, algumas pequenas competições esportivas já aconteciam nas cidades-estados gregas, basicamente em louvor aos Deuses. O nome Olimpíada refere-se ao tempo entre as edições. Comprovações arqueológicas indicam que a Olimpíada mais antiga foi em 776 a.C., tendo como primeiro campeão um cozinheiro chamado Corebos de Elida, em uma prova de corrida. As Olimpíadas em sua relevância para a época visavam preferencialmente o cultivo de boas relações entre as cidades gregas, interrompendo-se inclusive guerras, mostrando também as qualidades físicas, bem como o desenvolvimento dos atletas jovens (Colli, 2004; Lo Bianco, 2010).


Os Jogos Olímpicos eram um ritual religioso em homenagem a Zeus que ocorriam na cidade de Olímpia. As disputas aconteciam somente em um único dia, sempre no mês conhecido como Hecatombión, sendo disputadas corridas ou provas de atletismo. Com o passar dos anos, outras modalidades foram sendo incorporadas e a duração dos Jogos foi aumentada. Os únicos permitidos a competir eram os considerados cidadãos livres, exceto as mulheres e os vencedores recebiam uma coroa de louros, ganhando fama nas suas cidades, considerados por muitos como heróis. Conforme Lo Bianco (2010), a partir de 684 a.C. os Jogos foram estendidos para um total de três dias e no quinto século para cinco dias de competição.


Com a invasão do Império Romano em 146 a.C., os Jogos acabaram por perder seu esplendor, dando lugar principalmente à busca pelo lucro, inibição da corrupção e pelo prestígio social, começando nesta época o uso de substâncias estimulantes por parte dos atletas (Colli, 2004). Aquém disto, desconsiderando os ideais de promoção e união tão propagados nas cidades gregas, o imperador romano Teodósio I, ao converter-se para o cristianismo, considerou os Jogos como um festival pagão, banindo-o definitivamente. Foi somente na Era Moderna, por volta de 1852, através da iniciativa do pedagogo e esportista francês, Barão de Coubertin, que os Jogos Olímpicos renasceram (Lo Bianco, 2010).


Levando sua iniciativa adiante, o Barão de Coubertin passou quatro anos nos Estados Unidos em 1893, onde conseguiu um grande aliado, o professor Willian Sloane. No ano seguinte, Coubertin realizou um Congresso cujo objetivo era regular o esporte amador e programar as próximas edições dos Jogos, organizando uma edição a cada quatro anos distribuída nas principais cidades do mundo, a criação do Comitê Olímpico Internacional (COI), o aumento do número de modalidades, a inserção das mulheres como competidoras e que os primeiros Jogos da Era Moderna seriam realizados em Atenas no ano de 1896. Os Jogos Olímpicos de Atenas (1986) contaram com a participação de 14 países, 241 atletas e 43 provas de nove modalidades, obtendo grande êxito na sua realização, dando indícios da magnitude que viria a receber e que hoje é do conhecimento de todos nós (Colli, 2004; Lo Bianco, 2010; Silva, 2002).




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